Transferência de embriões após a fertilização in vitro

Transferência de embriões após a fertilização in vitro
Cristiane Gobo Cristiane Gobo
30/05/2016 10:28:31 hs

É o procedimento no qual os embriões que foram fertilizados in vitro, ou seja, dentro do Laboratório de Reprodução Humana, são transferidos ao útero da mãe.

 

Quando fertilizado de maneira natural, o embrião passa por um estágio chamado blastocisto. Assim, os estudos mostram, quando transferimos embriões neste estágio (ou seja, cinco ou seis dias após a coleta dos óvulos), que a chance de gravidez pode ser maior. Entretanto, nem sempre conseguimos que o embrião chegue a este estágio no laboratório. Além do mais, existe uma perda considerável no número de embriões durante estes cinco dias de desenvolvimento.

 

No dia seguinte à fertilização, que ocorre horas após a aspiração dos óvulos, os embriões são analisados para verificar qual a porcentagem dos óvulos maduros que foram fertilizados. Na maioria das vezes, mesmo nos casos de ICSI, uma parte destes óvulos não se fertiliza. Já neste momento, pode ser feita uma análise inicial microscópica e prognóstica da qualidade destes embriões e quais são os que têm maior chance de sobreviver e alcançar um estágio mais avançado de divisão celular.

 

No terceiro dia, estes embriões são mais uma vez estudados para que se faça uma nova classificação dos melhores. Esta classificação é baseada na morfologia. Na morfologia do embrião, dois itens são analisados: o número de células (que deverá ser de seis a oito) e o índice de fragmentação. Quanto menor o número de fragmentações e quanto maior o número de células, melhor será, teoricamente, este embrião e maior será a chance de implantação.

 

É importante lembrar que, ao classificarmos um embrião de melhor ou pior (“bonito” ou “feio”), não estamos concluindo que as crianças nascidas destes embriões terão saúde diferente umas das outras. Significa, simplesmente, que a princípio a implantação dos embriões que passaram pelo período de divisão celular inicial com facilidade deverá ter, estatisticamente, maior chance de gerar uma gravidez.

 

Não existe nenhuma relação destes dados com defeitos genéticos do bebê. O embrião morfologicamente “mais feio” (menos células e mais fragmentado) poderá ter uma chance menor de implantação, mas gerar uma criança 100% saudável.

 

Se no terceiro dia após a fertilização tivermos um número excessivo de embriões (superior a quatro), uma boa conduta é aguardarmos que estes embriões atinjam a fase de blastocistos para que os melhores passem por mais esta prova de seleção. Assim, no quinto ou sexto dia, os embriões que atingirem esta fase serão, sem dúvida, os que terão maior chance de implantação.

 

A decisão do dia da transferência será tomada após a coleta dos óvulos e avaliação inicial dos embriões conjuntamente pelo médico, o embriologista e o casal e dependerá de algumas variáveis importantes como idade da paciente, número de tentativas anteriores, número de óvulos coletados/maduros e, ainda, número e qualidade dos embriões obtidos.

 

A transferência embrionária é um procedimento simples, não precisa de internamento nem de anestesia, sendo semelhante a um exame ginecológico de rotina. A paciente permanece deitada, após a transferência de embriões, por um período de uma hora e faz repouso neste dia.

 

Após nove a 11 dias, já pode ser realizado o exame de sangue de B-HCG quantitativo para confirmar se foi obtido o sucesso de gestação ou não.

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