Inseminação intrauterina

Inseminação intrauterina
Cristiane Gobo Cristiane Gobo
11/07/2016 10:27:42 hs

A inseminação intrauterina é a introdução de sêmen (previamente preparado no laboratório de reprodução humana) no interior do útero, com o objetivo de se obter gestação. Este processo somente aproxima o(s) óvulo(s) dos espermatozoides, no qual ambos são melhorados por meio da indução da ovulação na mulher e do preparo do sêmen no homem, para que a fertilização ocorra naturalmente na tuba uterina.

 

Portanto, na inseminação intrauterina, a fertilização, ou seja, o encontro do óvulo com o espermatozoide, ocorre no próprio organismo da mulher, na tuba uterina, não sendo necessária a estrutura complexa de um laboratório nem de um ambiente cirúrgico para ser realizada, ao contrário da fertilização in vitro.

 

Para se realizar uma inseminação intrauterina precisa-se ter trompas uterinas normais e espermograma com morfologia normal e processamento seminal com mais de cinco milhões de espermatozoides móveis/ml. Se estes requisitos não forem preenchidos, poderá ser indicada a realização de uma fertilização in vitro, dependendo de cada caso.

 

As principais indicações para se realizar uma inseminação intrauterina são:

 

• falha em de três a seis ciclos de coito programado;
• fator cervical;
• infertilidade sem causa aparente (ISCA);
• endometriose mínima ou leve;
• anovulação;
• incapacidade de depositar o sêmen na vagina (hipospádia, ejaculação retrógrada, impotência neurológica);
• alteração seminal leve.

 

A coleta seminal é feita por meio da masturbação, numa sala apropriada, anexa ao laboratório de reprodução humana. O frasco coletor é fornecido pelo laboratório e deve ser largo e de material previamente testado quanto à toxicidade para a motilidade dos espermatozoides. Todo o material ejaculado deve ser depositado no frasco coletor. O material deverá ser avaliado em até uma hora após a coleta.

 

As técnicas mais utilizadas para o processamento do sêmen no laboratório de reprodução humana são:

 

Gradiente descontínuo de densidade: aplica-se uma força centrífuga sobre os espermatozoides e outras partículas do sêmen, obrigando-os a vencer gradientes de densidades diferentes. Os espermatozoides de melhor qualidade ultrapassam essas camadas e formam o precipitado. O plasma seminal, debris, células germinativas, leucócitos e espermatozoides anormais que ficaram retidos no sobrenadante são desprezados, resultando em uma amostra com os melhores espermatozoides.

 

• Migração ascendente (swim-up): o sêmen é depositado no fundo de um tubo de ensaio e coberto por uma pequena quantidade de meio de cultura tamponado. Os melhores espermatozoides se desprendem e nadam para a superfície. Após um período, retira-se o sobrenadante, o qual contém espermatozoides com excelente motilidade.

 

• Lavagem seminal (sperm-wash): consiste na adição de meio de cultura tamponado ao sêmen e posterior centrifugação para separar o plasma dos espermatozoides.

 

Realizado o processamento seminal, a amostra é ressuspendida em 0,5-1,0 ml de meio de cultura, e o cateter para a inseminação é preparado.

 

O(a) médico(a) introduz o cateter pelo canal cervical, geralmente guiado pela ultrassonografia transbdominal, e deposita a amostra seminal lentamente na cavidade uterina.

 

Após o procedimento, a paciente permanece deitada por 30 minutos e pode voltar a suas atividades normais. O exame de sangue para confirmar ou não a gravidez é realizado após 14 dias.

 

Na inseminação intrauterina em pacientes abaixo de 30 anos, a taxa de gravidez é de 15% a 20%, mas acima de 37 anos cai para 6,2%. Os resultados são melhores quando a causa é ovulatória, por fator masculino leve ou infertilidade sem causa aparente. Alterações tubárias e endometriose têm chances reduzidas com a inseminação intrauterina.

 

Nas pacientes com infertilidade sem causa aparente, a inseminação tem melhores resultados que o coito programado quando associada à estimulação ovariana.

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