De Chegada

De Chegada
Márlon Reis Márlon Reis
08/01/2016 15:03:28 hs

A partir de hoje terei a honra de ocupar este espaço na Revista 100 Fronteiras. Quero lhe falar um pouco sobre a minha trajetória para explicar o ambiente reflexivo em que estive envolvido nas últimas duas décadas.

 

Sou juiz de direito no Maranhão, lugar onde aprendi a observar a realidade ao residir em diversas cidades extremamente pequenas e muito pobres. Uma delas marcaria minha vida: Alto Parnaíba. É a cidade maranhense que fica mais longe da capital, São Luís.

 

Em 1999, comecei a falar abertamente sobre a importância do voto ético e contra a terrível prática da compra de votos, ainda hoje tão presente.

 

Logo iniciaria, por convite da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) da Igreja Católica, a me aproximar de pessoas e organizações sociais que tinham as mesmas preocupações que eu e que já estavam engajadas no tema desde a aprovação da primeira lei de iniciativa popular da história brasileira: a Lei nº 9.840/99, que torna possível a cassação de mandatos obtidos à custa da compra do voto.

 

Passei a percorrer o país ajudando a difundir a nova legislação. Em 2002, juntamente com o Francisco Whitaker, então secretário executivo da CBJP, idealizei a criação de uma rede de organizações sociais para envolver todos os defensores de eleições livres e justas. Nascia assim o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

 

Foi justamente esse movimento o responsável pela companha que mobilizou o Brasil para a conquista da Lei da Ficha Limpa, conjunto de normas que tornou o processo de registro de candidaturas bem mais complexo, dificultando a participação eleitoral de pessoas descobertas na prática de crimes graves, tais como estupro, corrupção, narcotráfico e homicídio.

 

Sinto orgulho de ter atuado como um dos líderes desse belo capítulo da nossa história.

 

Neste espaço pretendo dialogar sobre o que tenho estudado e aprendido dentro da perspectiva da cidadania ativa. Não se trata mais de simplesmente deplorar os desvios de conduta que marcam a atividade política, mas de colocarmos em marcha a contribuição que coletivamente pudermos dar para a alteração dessa realidade.

 

Será muito bom poder falar sobre essas coisas sobretudo neste ano. 2016 será um tempo em que os brasileiros serão chamados a eleger prefeitos e vereadores nos mais de 5.500 municípios do país. A base que será formada decidirá os rumos da eleição presidencial de 2018. Sim, isso significa que o voto concedido ao candidato a vereador por ser nosso “amigo” ou para facilitar o alcance de uma vantagem pessoal é o início da distorção que dá origem a grandes escândalos como o “Petrolão”. Está tudo ecologicamente conectado.

 

Política é algo complicado mesmo, mas extremamente saboroso quando vivenciada como instrumento de alteridade e aprendizado.

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